O Complexo de Clark Kent

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“Antes de surgir a ideia do É muita brisa, existiu o Mexidão HQ. Um site voltado ao mundo dos quadrinhos e que nasceu no meu último ano de faculdade, aliás, foi o meu trabalho de conclusão de curso. Durante alguns anos mantive-o no ar e ele me proporcionou momentos muito bacanas, como as entrevistas com feras como Sidney Gusman (O Sidão), Eddy Barrows, Lorde Lobo e Samuel Bono.

Vou republicar alguns desses momentos para compartilhar com quem não conheceu o Mexidão HQ e para matar a saudade da época também. A seguir um dos artigos que escrevi para o site.

Espero que gostem!”

O escritor Umberto Eco escreveu em seu livro Integrados e Apocalípticos, da editora pespectiva, que as pessoas possuem o complexo de Clark Kent. Segundo ele, Clark Kent personaliza, de modo bastante típico, o leitor médio torturado por complexos e desprezado pelos seus semelhantes. Quando Clark veste o uniforme do Superman, o leitor busca nele a superação de seus problemas através da fantasia. Bom, eu li isso no meu primeiro ano de faculdade e achei muito interessante essa afirmação.
Se pararmos para pensar, veremos que ele tem razão, afinal o Capitão América foi criado durante a 2ª Grande Guerra Mundial e enfrentava os nazistas, e naquela época quem não queria dar umas boas porradas no Hittler? Os X-Men foram idealizados como representantes de todos gruposuperman_forever_alex_ross (1)s de pessoas que sofrem algum tipo de discriminção, seja racial ou social. Os exemplos são muitos e basta pararmos para prestar atenção no que os escritores colocam nas páginas das hqs para percebermos isso. Dois ótimos exemplos disso: Crise de Identidade e Guerra Civil.
Na primeira, o escritor deixa a mensagem de que não importa o quanto alguém pareça intocável e perfeito, todos temos algo escondido embaixo do tapete ao mostrar segredos sombrios de alguns dos principais heróis do Universo DC.
Já em Guerra Civil, o próprio escritor declarou que a história se trata de um protesto ao atual momento vivido nos Estados Unidos, mas quem não estiver interessado nisso, disse ele, vai se divertir com um monte de heróis dando porrada uns nos outros.
Se com o adolescente e com o adulto a fórmula funciona, com as crianças não seria diferente. Ela viaja junto com o Mickey em suas aventuras espaciais e nas caçadas ao tesouro com o Tio Patinhas. Conhece o folclore brasileiro com o Chico Bento e o Papa Capim e aprende a lidar com situações do dia-a-dia com a ajuda da Mônica, Cebolinha e companhia.
Um bom exemplo disso é a edição especial da Turma da Mônica intitulada “Toda criança quer ser criança”, onde Maurício de Souza apresenta aos pequenos leitores o universo da exploração do trabalho infantil, explicando, de forma velada, todas as dificuldades que uma criança obrigada a trabalhar enfrenta no seu dia-a-dia.
Agora só nos falta tirar um melhor proveito desta mídia que se torna cada vez mais poderosa e aprender a refletir sobre esses momentos de fuga que ela nos proporciona, aprendendo, com os heróis do gibi, a lidar com os problemas reais fora das páginas dos quadrinhos.

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