Viajar na leitura e ter heróis é bom ou ruim?

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Um dos meus primeiros textos aqui no É muita Brisa foi sobre o complexo de Clark Kent, descrita pelo escritor Umberto Eco em seu livro Integrados e Apocalípticos, da editora perspectiva. Segundo Eco, Clark Kent personaliza, de modo bastante típico, o leitor médio torturado por complexos e desprezado pelos seus semelhantes. Quando Clark veste o uniforme do Superman, o leitor busca nele a superação de seus problemas através da fantasia. Bom, eu li isso no meu primeiro ano de faculdade e ainda acho muito interessante essa afirmação.

Mas porque essa afirmação ainda faz tanto sentido? Simples, sempre procuraremos por modelos que nos inspire e mantenha viva a fantasia e o ponto de fuga dentro de nós. Por quê buscar um ponto de fuga? Não porque precisamos fugir da realidade e de nossos problemas, mas sim de um porto seguro para encontrar soluções. Precisamos de heróis que nos inspirem.

Esses heróis podem estar em vários lugares, como na cultura pop, no esporte e na literatura, por exemplo, podem ser pessoas reais ou fictícias. Por isso temos Potterheads, Startrekers, Vernianos, Marvetes e DCnautas, e tantos outros “clãs” dentro dos fandoms* espalhados por aí.

IMG_20160717_145646635Quando lemos um livro, um quadrinho, um mangá, ou assistimos uma série de TV, acompanhamos uma banda e coisas assim, imergimos em outro mundo, onde os problemas ficam do lado de fora por alguns instantes e isso nos dá paz e conforto. Claro que não se deve buscar refugio nesse mundo imaginário para não resolver os problemas, mas sim para esfriar a cabeça e voltar à realidade com mais clareza para enfrenta-los.

foto-materia-inspiracaoUma menina de sete anos não busca inspiração na Mulher-Maravilha ou na Arlequina porque quer ser uma heroína ou uma vilã e sair chutando umas bundas por aí. Ela busca inspiração na figura de uma mulher forte e que possui representatividade. Essa menina quer mostrar que pode ser tão forte quanto qualquer menino da sua idade, não em questão de força, mas em atitude, em personalidade, que não vai ser uma pessoa submissa por causa do seu sexo ou idade. Ela busca acima de tudo, igualdade.

Você tem dúvidas em relação ao quanto uma visita a esse ponto de fuga pode ser produtiva? Pense em todas as coisas que foram apresentadas em Star Trek, por exemplo, e que hoje faz parte do nosso cotidiano, como smartphones, tablets, vídeochats e a própria telefonia móvel! Tudo isso surgiu lá atrás como objetos fantásticos e que só existiram na imaginação.

Além de inspirar, esse ponto de fuga também nos ajuda a ter repertório. Como? Simples, quando você lê algo, e não digo um texto, mas uma mensagem passada em uma mídia, seja impressa ou áudio visual, traz consigo benefícios como desenvolvimento de interpretação de contexto, estrutura, fotografia, história, atualidades, e principalmente, comunicação.

Então, qual o objetivo real deste texto? Bom, eu gostaria de ver pessoas fomentando esse complexo de Clark Kent nas crianças, através do estímulo da leitura, seja de livros ou hqs, sentar e assistir boas séries e filmes, e mostrar um mundo de heróis imaginários que podem superar o impossível, mas que também podem inspirar a superar desafios reais, como socialização,  insegurança e até o desenvolvimento pessoal.

E aí, topa o desafio?

*Fandom é o diminutivo da expressão em inglês fan kingdom (reino dos fãs). É formado por um grupo de fãs de determinada obra em comum, como um seriado de televisão, uma HQ ou mangá, uma música, artista, filme, livro e etc.

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